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 | | | Lygia Pimentel é médica veterinária, pecuarista e especialista em commodities. E-mail: lygia@bigma.com.br | |
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| Sexta-feira, 18 de maio de 2012 |
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| Boi no primeiro semestre, boi no segundo semestre |
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Tem muita gente me perguntando o que será do boi no segundo semestre de 2012.
Olha, sinceramente eu não sei. É difícil responder assim, tão pontualmente. Mais difícil ainda é (pra não dizer impossível) dar valor exato para o boi no período. Na verdade, se eu soubesse, a vida seria muito fácil, não é verdade?
Bom, vamos voltar um pouquinho no tempo para entendermos o que acontece hoje e, então, entendermos o que poderá ser do segundo semestre.
Já falamos neste espaço em diversas ocasiões, foram 4 anos de retenção de fêmeas, de 2006 a 2010.
O preço do bezerro estava subindo e a atividade de cria estava atrativa. Então pensamos em produzí-los e para isso seguramos as fêmeas.
Depois de um tempo, essa retenção mostra seus reflexos através da oferta maior de animais na praça. A prova disso é um gráfico que coloquei aqui há algumas semanas, mas como não gosto de falar sem provar a afirmação através de números, vou repetí-lo.
Gráfico 1.

Fonte: Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
Acho que a oferta maior nos pegou junto com uma seca brava, que prejudicou demais as pastagens e reduziu o poder de manutenção por parte do pecuarista.
Junto com isso, temos uma probabilidade de aumento do volume de animais confinados elevada, o que me deixa bastante apreensiva em relação à margem da atividade para aqueles que tencionam especular e nem estão olhando para as
oportunidades que a Bolsa nos dá.
Quero dizer que não teremos entressafra? Não. Mas o cuidado com a negociação deve ser redobrado.
Em anos de incerteza e expectativa de aumento de oferta, como tem sido 2012, eu não gosto de contar com a sorte e com o fato de precisar que a demanda seja forte o suficiente pra me salvar. Prefiro me garantir.
O que costumo fazer é que logo que a Bolsa me dá oportunidade, recomendo trava com futuros ou trabalhamos com a compra de opções. A compra do seguro de preços tem que estar no cardápio para quem se sente mal em chupar o dedo se o mercado vai além.
Em algumas oportunidades, quem me dá essa chance de margem é o frigorifico. Pode-se pensar em trava com ele também, apesar de não ser minha primeira opção por não gostar de abrir a estratégia para o comprador.
Mas tem anos em que essa é a melhor alternativa por eu não estar pronta para aguentar o ajuste ou não ter caixa suficiente para comprar opções. Com o frigorífico, não tenho ajuste ou combino apenas desembolso na entrega dos animais.
Em resumo, precisamos aprender a esquecer aquela ideia de esperar eternamente pelo pico dos preços ou então pagar pra ver.
A oferta está grande e existe a expectativa de que o volume de animais de confinamento aumente mais uma vez em 2012.
Então, o negócio é partir logo para o abraço quando surge uma boa oportunidade. Seja da forma que for: futuros, opções, frigorífico, termo, seguro de preços, etc.
A cada ano temos m mercado diferente, portanto, uma decisão diferente a tomar e devemos conhecer a ferramenta que melhor se encaixe a ela. Ao longo dos anos, essa ideia dá resultados melhores e mais consistentes.
Bom, no curto-prazo, temos uma oferta que não para de aumentar. Será? Olhem só, os últimos dias têm sido um pouquinho mais duros com os frigoríficos. Quando eu digo “um pouquinho”, é um pouquinho MESMO, coisa leve.
As escalas de abate permanecem longas e a carne está muito, mas muito fraca! Largada, praticamente.
O consumo não está segurando as pontas, afinal de contas, estamos na segunda quinzena. Normal. Mas quando colocamos junto disso uma boa oferta, não tem muito jeito de segurar o cabresto.
Mas pessoal, tem muita gente desesperada, achando que isso não vai mais passar.
Não é verdade. Como eu disse também há algumas semanas, safra e entressafra ainda existem pois tem um período do ano em que chove menos e outro em que chove mais. Boi é pasto. Ponto!
Com o frio e com a oferta sistemicamente maior, o pessoal abriu mesmo a porteira e não teve como os preços não caírem, mas vejam bem, uma hora isso melhora. E já está começando a dar ligeiros sinais de que pode melhorar dentro de algumas semanas.
Depois dessa forte desova que vemos agora, ainda não teremos boi de cocho em quantidade suficiente para fazer com que o mercado continue em queda. É o que me parece. Não tem sido tão fácil comprar nos últimos dias.
Não posso atestar com toda a certeza do mundo, obviamente, mas se a oferta já dá alguns sinais de que quer enfraquecer, basta o consumo responder pra gente ver algum tipo de reação.
No começo de junho existe potencial pra enxugar um pouquinho a oferta de carne. Então pensem comigo: oferta menor e demanda um pouquinho melhor, pode ser que os preços também melhorem. E sabem o que mais? É o que costuma acontecer nesse período ao longo dos anos, ou seja, atingimos o fundo da safra entre abril e maio e em seguida os preços começam a reagir novamente, assim que terminamos de colocar no gancho os animais que perderão peso sem pasto em uma situação decente.
Vamos torcer! Um abração e até a semana que vem.

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Categoria: AGRONEGÓCIO | TAGs: boi gordo, mercado, carne bocina, BM&F, futuro, hedge, pastagem, seca, produtividade,
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| Sexta-feira, 11 de maio de 2012 |
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| Jogo Rápido |
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Pessoal, hoje é jogo rápido! Não tem muito o que dizer do mercado, só que a oferta continua abundante e dá espaço para novos recuos.
A expectativa de começo de mês mais firme não se confirmou, mas na verdade maio não segue muito essa regra. O que quero dizer é que nos meses de maio, a oferta costuma pesar mais na balança do que o consumo. Isso ocorre devido exatamente ao período de “fundo” da safra, que costuma ocorrer nesta época do ano.
Vou provar através de números, vejam:
Gráfico 1.
Variação do preço da carne no atacado nas primeiras quinzenas de abril e maio.

Fonte: Broadcast/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
O que ficou claro aqui é que maio não costuma ser um mês muito camarada em termos de sustentação ao mercado atacadista de carne, ao contrário de abril.
Nos últimos anos, com exceção de 2011, houve boa valorização para a carne no período. Mas como pode, se em maio temos feriado do dia do trabalho e Dia das Mães?
Pode porque, como comentei anteriormente, a oferta consegue falar mais alto que a demanda neste período específico.
Normalmente, nesta época, o frio já chegou, mas ainda é safra. Como as pastagens começam a perder qualidade, a saída do pecuarista acaba sendo vender o que tem em estoque ou mandar para o confinamento, quando ele considera essa alternativa.
Mas como 90% de nossa produção é a pasto, esses animais entram na linha de abate e mexem com a sustentação do mercado no período.
Em 2012, especificamente, a situação é ainda mais complicada. Considerando-se o Brasil pecuário, tivemos 25% menos chuvas neste primeiro trimestre se comparado ao mesmo período do ano passado. Nem deu para as pastagens começarem a se recuperar direito e já entrou o clima frio de maio pra estragar tudo! Certo, mas vamos tentar ver o lado bom da coisa. A questão é que estamos quase chegando à segunda quinzena de maio. Passou como um raio! Junho está quase aí!
O que quero dizer é que não há fase ruim que dure pra sempre. Acredito que após esse momento de desova inicial e também de encaminhamento de uma parcela dos animais para o confinamento (que, neste ano, parecem um pouco apressados), poderemos nos deparar com um vácuo entre a oferta de animais de pasto e a oferta de animais de cocho.
Já aconteceu antes, inclusive, neste período. Depois disso... bom, depois não sei. A oferta de animais está aí, aumentada após 4-5 anos de retenção de fêmeas, as pastagens estão degradadas, a expectativa é de aumento do volume de animais confinados para este ano. Algo em torno de 13% a 20%.
Nesta semana recebi a pergunta de um leitor: “O que é que esse pessoal está vendo pra se arriscar a aumentar o volume de animais confinados?”
Não sei exatamente, acho que existem diferentes motivos para a tomada desse tipo de decisão. Mas tenho um palpite: mesmo em queda, o mercado futuro nos permite fechar a conta. Quase na rapa, em alguns casos, mas fecha. É claro que está longe de pagar o que seria interessante para o pecuarista, mas pra quem trabalha com tecnologia, um bom fluxo de caixa e com o custo na ponta do lápis, até que dá pra encarar. Sem falar que considerando a média de sentimento para o mercado futuro, não estamos tão mal historicamente, olhem só:
Tabela 1.
Otimismo/pessimismo do mercado futuro em maio.

Broadcast/BM&F/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
Em breve conversaremos mais sobre isso.
Abraços a todos e até a semana que vem.
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| Sexta-feira, 4 de maio de 2012 |
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| Tá chovendo boi! |
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Não há como negar. A oferta de animais hoje é maior do que no mesmo período do ano passado e também maior do que o mesmo período do ano retrasado.
A última entressafra que vivemos também contou com uma oferta maior, principalmente no primeiro turno do confinamento. Prova disso é que em setembro do ano passado o comportamento dos preços se assemelhava ao período de safra. É ruim quando isso acontece. Gostoso é quando falta boi. Quando conseguimos negociar com calma. Colocar o frete na conta, enfim!
Não é o que ocorre hoje. Há quem diga que é manipulação, que é reflexo da concentração de frigoríficos, culpa do governo, culpa da falta de chuvas... Certamente alguns desses fatores influem, mas não no longo-prazo. Ao longo do tempo o fundamento fala mais alto.
Se a atividade está ruim e não remunera, a gente não aguenta ficar nela por muito tempo. E se saímos, a oferta passa a ser menor. E se a oferta é menor e a demanda permanece, os preços voltam a firmar. E quando eles firmam, o pessoal começa a olhar e pensar: “Como é fácil ganhar dinheiro com boi! Acho que vou entrar nessa”. E aí a oferta volta a aumentar e estes caras percebem que estavam errados, que na verdade é difícil tirar a correia do couro.
Enfim, é o que já conversamos sobre os ciclos do mercado. É claro que a história não é tão simplista como contei acima, mas a lembrança servirá para pensarmos sobre a situação atual e para onde ela poderá nos levar. Observe o gráfico 1.
Gráfico 1.
Evolução das escalas de abate em Barretos – SP (dias).

Fonte: Broadcast/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
Lembram-se de quando falei que setembro de 2011 se pareceu com período de safra? Observem onde foi parar a duração das escalas de abate no período! Só para lembrar, gostaria de dizer que uso médias mensais para calcular a duração das escalas, e não situações pontuais de aumento de um dia, apenas. Isso evita que a entrada de um grande lote ou a compra por parte do frigorífico por achar que o mercado vai subir alterem o resultado.
Bom, tracei médias para o primeiro quadrimestre de 2010, 2011 e agora, 2012. Observem como nos últimos meses as escalas realmente aumentaram. Certamente esta não é uma situação pontual, é sistêmico. Tem boi na praça, pessoal.
Este é o reflexo das fêmeas retidas entre 2006 e 2010, e que agora aparecem na forma de bois terminados e bois magros. Não tenho dúvida de que isso ocorre, sabem por que? Porque seria muita coincidência retermos fêmeas por 4-5 anos e depois disso começar a aparecer boi só porque o clima nos atrapalhou (e como atrapalhou!), ou porque a cigarrinha atacou (e como atacou!).
É o efeito do ciclo pecuário, pessoal.
O consumo interno continua fazendo a sua parte, apesar de os preços no varejo não ajudarem muito. Observem:
Gráfico 2.
Variação da arroba do boi, equivalente físico e do gasto do brasileiro com as carnes.

Fonte: Broadcast/Cepea/Dieese/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
Vejam bem, o boi caiu 6,5% no último ano, a carne no atacado recuou 2,1%. E enquanto isso o consumidor aumentou 1,4%! Nosso consumidor foi o verdadeiro super-herói, principalmente quando consideramos que nossas exportações não têm ido nada bem, ou seja, saímos de uma relação de 25% exportado e 75% de produto destinado ao mercado interno para uma relação atual de 15%/85%.
A questão é que aparentemente a oferta de animais continuará a dar seus sinais de aumento, conforme avança o ciclo pecuário. É o fim do mundo? O boi não subirá mais?
Não!
Mesmo em fases de baixa dos ciclos pecuários, a safra e a entressafra se fazem sentir. O que temos é que ocorrem entressafras com ímpeto mais modesto de alta e safras que nos deixam mais chateados. É claro que temos safras em que o preço sobe (como em 2010) e entressafras em que o preço cai (como em 2009). Mas na maioria dos casos, ainda trabalhamos com a sazonalidade.
Tem quem diga que não temos mais isso por causa do confinamento e tal, mas como pode ser, se confinamos algo em torno de 10% da produção, apenas?
Pecuária tem tudo a ver com o clima. Não tem como fugir dele. E com 90% da produção extensiva, permanecemos à mercê de São Pedro.
Gráfico 3.
Variação dos preços pecuários entre as safras e entressafras.

Fonte: IEA/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
O gráfico 3 mostra em cinza as safras e em verde as entressafras. Fica claro que na maior parte das vezes, tivemos preços em queda na safra e preços em alta na entressafra.
Bom, enfim. Deu pra entender. Esse papo está ficando repetitivo. Só queria marcar bem o meu ponto de vista. Talvez alguém discorde e seria interessante conversar sobre isso.
Bom, para o curto-prazo o que temos?
Temos que pela primeira vez desde agosto de 2010 a Pessoa Jurídica Financeira possui uma fatia comprada do mercado maior do que a Pessoa Física. Isso é importante. A PJF está com 39,85% das compras na mão. Como eu disse há algumas semanas, significa que temos gente grande brincando com um mercado pequeno. Por isso nas últimas sessões o mercado físico recuou, mas o futuro não conseguiu acompanhar.
Isso sugere um viés de sustentação para os futuros no curto-prazo. Vamos acompanhar!
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Categoria: AGRONEGÓCIO | TAGs: boi gordo, escalas, ciclo pecuário, mercado, preços, entressafra, safra,
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| Sexta-feira, 27 de abril de 2012 |
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| Tempos novos, problemas velhos |
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Estamos em 2012, mais precisamente no oitavo ciclo pecuário desde o início da série histórica mais antiga que tenho aqui com os preços do boi gordo. Isso não significa que esse tenha sido o início da pecuária brasileira, obviamente. De lá para cá, foram 58 anos de evolução para a atividade pecuária.
Mas por mais que a gente evolua, certos problemas parecem sempre os mesmos, quero dizer, parecem voltar de tempos em tempos. É o que aconteceu nesta semana lá nos Estados Unidos.
Desde 2006 os norte-americanos não viam de perto um caso de encefalopatia espongiforme bovina, que costumamos chamar “mal da vaca louca”. Coincidentemente, naquele mesmo ano eles passavam por um período difícil para a pecuária. Época de preços nominais estáveis e custos de produção crescentes, ou seja, perda de rentabilidade. Digo coincidentemente porque hoje ocorre algo semelhante.
Apesar da trajetória recente dos preços, o produtor norte-americano sofreu bastante nos últimos meses. Com a forte alta dos grãos e com a alta taxa de animais recriados e terminados em confinamentos, a margem do pessoal diminuiu bastante. Para completar, o cenário piorou devido ao clima no ano passado, que registrou a pior seca em 50 anos e a temperatura mais alta em 70 anos.
Gráfico 1.
Evolução dos preços do boi gordo nos Estados Unidos e no Brasil, em dólares.

Fonte: Bloomberg/USDA/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
O resultado foi que a taxa de abate de fêmeas aumentou e o Tio Sam hoje possui seu menor rebanho nos últimos 60 anos.
E o que acontece nesses momentos de – literalmente – vacas magras é que temos que apertar o cinto pra não comprar uma calça nova. Ao reduzir investimentos, o pessoal costuma esquecer-se da sanidade do rebanho, infelizmente. E aí, amigos... aí chega a hora do tiro de misericórdia! Todo mundo chega junto ao fundo do poço.
Enfim, não é nada bonito de ver. Sabemos bem como é, afinal de contas, foi o que aconteceu conosco em 2005, quando tivemos o surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul.
Vivíamos o pior momento do ciclo pecuário, a fase do abate forçado de matrizes na tentativa de fazer caixa. Aí, alguém se descuidou e “esqueceu” de vacinar o rebanho... pronto!
Gráfico 2.
Evolução dos preços do boi gordo em Barretos – SP, corrigidos pelo IGP-DI.

Fonte: IEA/Cepea/Bacen/Divisão AgriFatto - Bigma Consultoria
Mas tudo bem. O que aconteceu nos Estados Unidos esta semana provavelmente será bom para as nossas exportações e poderá ajudar o Brasil a consolidar-se no mercado internacional novamente. Será?
Eu, particularmente, acredito que é sempre positivo quando um grande player deixa o mercado em que concorremos. Mas o fato é que os principais clientes dos Estados Unidos não compram carne brasileira. Os mercados emergentes que compartilhamos compram muito pouco deles, por isso o crescimento recente das vendas de carne norte-americana para esses mercados foi tão expressivo.
Portanto, há certamente algo que poderá se desenvolver mais facilmente, talvez algum cliente se interesse pelo nosso mercado, mas ainda é um caminho a percorrer e que leva um pouco de tempo.
Outro fato: antes que a notícia fosse confirmada pelas autoridades, a vaca de leite da Califórnia já havia sumido do mapa. O governo norte-americano imediatamente entrou em ação para rastrear de onde veio e para onde foi o animal doente, eliminou suas evidências, declarou que a carne não foi comercializada e que não há risco de contágio de outros animais.
Ou seja, fizeram rapidamente sua parte para evitar que a retaliação dos clientes seja maior do que o necessário. A recuperação pode ser mais rápida do que imaginamos. Já temos noticias de que apenas a Coréia e Indonésia retaliaram as compras de carne bovina norte americana, mas esses são mercados que o Brasil não atende. Japão, Mexico e União Europeia continuam abertos e a Rússia ainda não se pronunciou.
Mais uma questão: não podemos sequer considerar uma análise sobre mercado exportador sem olharmos para o câmbio, seria muito amadorismo. O dólar em R$1,80 ainda não é suficiente para que sejamos assim tão atraentes internacionalmente, o que fez com que a Índia – pasmem – fosse apontada como mais novo líder mundial em exportação de carne bovina pelo Departamento Norte Americano de Agricultura (USDA). E ainda de acordo com o USDA, estamos atrás da Austrália, ou seja, saímos do primeiro para alcançar o terceiro lugar.
Mas tudo bem, ainda assim, estamos numa boa posição, faz parte dos ciclos do mercado.
Vale ressaltar que a posição da Índia, na verdade, é uma incógnita, pois os diversos órgãos de estatísticas internacionais (USDA, FAO, OECD, FAPRI) diferem em quase 100% nas estimativas de exportações.
Os volumes variam de 750 a próximos de 1.400 mil toneladas de equivalente carcaça. E, apesar do USDA estimar as exportações australianas acima das brasileiras, a análise dos órgãos de ambos os países (Brasil e Austrália) ainda apontam o Brasil na frente.
Temos que considerar também que o período em que alcançamos o maior volume de carne exportada era também o período em que abatíamos o maior volume de animais devido à fase do ciclo pecuário em que nos encontrávamos, ou seja, a fase de baixa.
Portanto, naquele período, o abate brasileiro não era sustentável em termos de desfrute. Abatíamos o que não podíamos, forçosamente. Agora que ainda estamos em fase de colher frutos do investimento na atividade e que não temos abate forçado de matrizes, não conseguimos abater tanto quanto naquele período, o que em termos de inventário de animais pode ser considerado mais saudável.
O que quero dizer com toda essa história é que o mercado futuro disparou na terça-feira e chegou a subir 2,3%. Essa alta não ocorreu pelo fato de que na semana que vem voltaremos a exportar um volume monstruoso e que isso deverá enxugar o mercado de carne empurrando os preços pecuários para cima. Na verdade, o mercado futuro subiu porque queria subir. Ponto!
Pensem comigo. Na sexta-feira (20/04/2012) o indicador recuou R$1,08/@ e na segunda-feira o mercado futuro permaneceu praticamente estável. Sem falar no relatório de posicionamento dos players divulgado na quinta-feira (19/04/2012), onde ficava claro o aumento considerável da posição comprada da Pessoa Jurídica Financeira. Gente grande brincando com um mercado pequeno.
Alguém se lembra da reação dos futuros no dia que os Estados Unidos suspenderam a importação de carne brasileira industrializada? Para quem não se lembra, eu digo: nenhuma. O mercado continuou como se fosse algo ainda distante de mostrar seus efeitos.
Então, pessoal, o que houve foi que acendemos o fósforo perto da gasolina. O mercado queria subir e dava sinais de que isso aconteceria. Lembram-se do que comentamos na semana passada sobre o suporte em 101,55 para o contrato de outubro? Como falei, não é tão claro assim quando e como isso acontecerá, mas o mercado certamente dá seus sinais. Precisamos usar o instinto para enxergá-los.
Quem nos lê pode querer me perguntar: "então você está pessimista em relação às exportações?". NEGATIVO! A notícia é positiva para o mercado brasileiro. É uma pena pensarmos que é bom pra gente quando o outro vai mal, mas estou falando do efeito e não do fato em si. O fato em si é horrível e preocupante, ainda mais depois da história do pink slime e da perda de imagem da carne bovina no mercado norte-americano.
De toda forma, o que eu quis expor aqui é que talvez a BM&F tenha exagerado um pouco no tamanho da reação, como é típico dos mercados futuros. Afinal, além de gente apostando na alta, tínhamos também uma série de ordens “stop” sendo acionadas, aquelas que servem para estancar o prejuízo. E no fim das contas, quem especula só ganha dinheiro com o mercado em movimento, então ele tinha que se mexer. Se não é para baixo, tem que ser para cima.
Estou dizendo que 104 é um preço alto demais para o mercado em outubro? Absolutamente, não! Mas não é o episódio desta semana que mudará drasticamente o caminho que temos trilhado até agora. O fato poderá nos ajudar a tirar algumas pedras da mochila, mas já rumamos para o aumento natural da produção de carne e, consequentemente, aumento natural das exportações.
Bom, este é só o ponto de vista de alguém que tenta enxergar o mercado da maneira mais racional possível. A moral da história é a mesma de sempre: mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Hoje gostaria de dar uma excelente notícia. Temos uma cabeça nova para compor o time de profissionais que colaboram com a Bigma Consultoria. Trata-se do início de uma parceria com meu amigo Pedro Dejneka, consultor da PHDerivativos, brasileiro e que mora nos Estados Unidos há 16 anos. A partir de agora ele nos ajudará a aprofundar a análise macroeconômica e de outras commodities. Já falei aqui sobre o Pedrão, o nível de conhecimento e a experiência profissional dele dispensam comentários.
E pra começar, nos próximos dias ele complementará o texto de hoje com uma visão macro de como a coisa pode se desenrolar. Será a parte II dessa visão que desenhamos hoje.
Abraços a todos e até breve!

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Categoria: AGRONEGÓCIO | TAGs: Vaca Louca, Ciclo pecuários, preços, boi, mercado, tendências, exportações, carne bovina,
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| Domingo, 22 de abril de 2012 |
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| Queda? Queda não!! |
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Atrasei, pessoal! Desculpem. Fiz uma palestra, na quinta-feira, no Circuito Feicorte em Goiânia, depois fizemos uma mesa redonda e o tempo apertou. Mas estou aqui, não fugi. Vamos conversar sobre o boi!
Hoje daremos continuidade ao papo da semana passada. Afinal de contas, o movimento se confirmou. O boi resolveu se assustar e o mercado ficou mais pesado. Ele está em queda e tem espaço pra continuar mais um pouco, pessoal. Digo isso pois a carne não está dando suporte às cotações neste momento. As escalas aumentaram bastante, chegando aos níveis recentes mais altos.
Na verdade, fizemos um alerta aqui nesta coluna recentemente. Com o nível de compras com que os frigoríficos trabalhavam, o mercado de carne tendia a se encharcar com o produto na segunda quinzena, quando o consumo enfraquece um pouco. E quando a pressão negativa chegou, o pessoal se assustou e alongou as programações, o que é normal quando tem boi no pasto.
Observem a área marcada em vermelho no próximo gráfico. O atacado tem mandado no preço do boi gordo. É só ele escorregar que a gente perde ponto.
Gráfico 1.
Evolução das escalas de abate, dos preços do boi gordo e do boi casado no atacado.

Fonte: Broadcast/Cepea/Divisão AgriFatto – Bigma Consultoria
Peço desculpas aos que ficarão bravos comigo por admitir que o mercado pesou um pouco neste momento, mas li uma frase nesta semana com a qual concordo firmemente: temos que trabalhar como profissionais da pecuária, e não como torcedores.
Bom, tirando o fator de queda pontual, estamos nos aproximando do período que é tradicionalmente considerado como o fundo da safra. Isso ocorre porque em 70% das vezes os piores preços registrados em anos anteriores ocorreram entre abril e maio. Então, o melhor que temos a fazer por enquanto é entender porque isso aconteceu para tentarmos acompanhar o que poderá suceder a partir de agora.
As escalas estão confortáveis, é verdade. Mas vejam bem, a próxima semana conta com um feriado, que alonga as programações, mas também tira um dia útil de abate. Depois disso, o varejo vai começar a se movimentar à espera do início do mês e, em seguida, teremos dia das mães, que tambémm costuma ser uma data positiva para o consumo de carne.
O mercado futuro já se posicionou à espera do início do mês? Ainda não, mas parece estar querendo. Ele encontrou um pouco de dificuldades em continuar em queda com o outubro próximo aos 101,55, sem falar que esse também é um patamar de suporte gráfico importante. Se alguém aí entende de análise gráfica, basta traçar o Fibonacci a partir do maior movimento de queda.
Vejam, é difícil afirmar com toda a convicção que desse patamar não passa, mas podemos dizer que é visível algum tipo de sustentação para o mercado futuro próxima desses valores. Portanto, vale a pena ficar de olho.
Então por enquanto é isso. Farei um texto rápido hoje pois daqui a pouco tenho que pegar o avião de volta pra minha querida Bebedouro - SP. Mas estou com umas ideias interessantes que levam mais tempo para serem desenvolvidas com propriedade e apresentarei na semana que vem. Aguardem, é coisa boa.
Ah, só mais um comentário. Hoje estive no escritório do meu amigo Ricardinho Heise, da Boi Invest, aqui em Goiânia. Mas olha, que lugar arrumado! Tirei até uma foto do que mais me chamou a atenção por lá. Muito bom chegar para bater um papo com a turma dele! Valeu pelo almoço, Ricardinho!

Abraços e até a semana que vem!

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SEXTA | 18 | MAI | 2012 | 21:46 |
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BLOG DO MAURÍCIO Na infância, o cavalo! Agora, uma Harley... Na época de minha infância e adolescência eu adorava tomar chuva a cavalo. Período de férias era sempre farto, nos meses de dezembro e janeiro, o tempo todo na fazenda.
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