BIGMA CONSULTORIA
 
 Maurício Palma Nogueira é engenheiro agrônomo e diretor da Bigma Consultoria
E-mail: mauricio@bigma.com.br
 
 
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Quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
 
O custo de uma boca grande
 
Quando um líder se desvia de seus reais objetivos, priorizando a vaidade, o culto à própria imagem e a demagogia, são sempre os liderados que acabam pagando o preço.

Os exportadores de carne bovina podem pagar um custo bem alto pela postura equivocada, e demagógica, adotada por Lula no passado. Dilma tenta corrigir, mas herdou uma situação muito delicada.

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, parece ter criticado a postura de Dilma com relação ao seu Governo. Além de criticar, teria ameaçado embargar as exportações de carne para lá.

Eu escrevi “parece” porque algumas notícias, veiculadas sobre o assunto, ressaltam que Teerã não confirma, nem a crítica e nem a ameaça de embargo à carne brasileira.

Nesse caso, os recentes problemas sofridos por algumas empresas nas exportações de carne bovina, e de aves, para o Irã teriam sido causados por outros fatores, de origem burocrática dos órgãos ou de profissionais iranianos.

Se assim for, as críticas à Dilma e ao Governo brasileiro estariam sendo superestimadas, baseadas em especulações. Ou tudo não passaria de uma mera ameaça em busca de suavização na politica externa do Brasil em relação ao Irã. Afinal, com tantos gigantes pressionando o país, porque raios Ahmadinejad iria criar bronca com o Brasil?

Mesmo assim, especulação ou não, o fato é que o burburinho ganha força e acaba exercendo pressão. Em uma das matérias escritas no início da semana, o articulista começa o texto da seguinte maneira: “Os criadores de aves e de bovinos certamente não estão gostando, porque as exportações de carne para o Irã podem sofrer represálias”.

De fato, o Irã é um grande cliente do Brasil. Em 2011, o país representou 13,64% do faturamento e 11,95% do volume exportado de carne bovina. Tanto em faturamento como em volume, o Irã foi o segundo maior destino das exportações brasileiras. Observe os desempenhos nas figuras 1 e 2.

Figura 1.
Exportações de carne bovina para o Irã, em volume, nos últimos anos

Fonte: Secex/MDIC/Bigma Consultoria

Figura 2.
Exportações de carne bovina para o Irã, em US$, nos últimos anos

Fonte: Secex/MDIC/Bigma Consultoria

Para a bovinocultura brasileira, a importância do Irã como parceiro comercial é incontestável.

No entanto, apesar da importância, não há justificativa para que o Brasil apoie ou faça vistas grossas às insanidades belicosas e ditatoriais do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Nesse ponto, a postura da presidente Dilma Rousseff, em relação à política do Governo iraniano, é mais correta do que a de seu antecessor.

Ao votar na ONU a favor de uma investigação sobre violações de direitos humanos no Irã, a presidente brasileira mostrou-se digna do cargo, pelo menos aos olhos dos brasileiros de bom senso.

Além de tudo, a postura de Dilma é altamente favorável ao povo do Irã. Se as investigações identificarem violações aos direitos humanos, quem se prejudica é Ahmadinejad e não o país que ele governa.

Para o Brasil, não é o presidente, mas sim o Irã e o povo iraniano que são importantes. Infelizmente, para acessar o mercado, Mahmoud Ahmadinejad precisa ser aturado; e não adulado.

Foi aí que errou o antecessor de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com sua demagogia “discursante”, o ex-presidente comprometeu as relações do Brasil com o Irã.

Ao invés de adotar uma postura pragmática e responsável, Lula gerou enorme polêmica ao associar o Brasil à defesa do desrespeito aos direitos humanos, naquele país, e às intenções militares de Ahmadinejad.

Na época, as críticas internacionais à postura brasileira não foram poucas. O desfecho foi considerado um dos maiores erros da diplomacia brasileira na era Lula. Rendeu até uma sátira criada por um programa de TV Israelense; aparentemente um primo distante de programas do tipo TV Pirata, Pânico na TV, CQC ou Casseta & Planeta.

Assista o vídeo.



A sátira, humilhante aos brasileiros de brio, teve que ser engolida. Afinal, o maior errado da história era o presidente brasileiro. Que moral teríamos para questionar a desmoralização de nossa bandeira, se o presidente defendia um país que quer ver Israel varrido do mapa?

E tudo que o Lula fez foi em vão, pois nada agregou ao Brasil.

Bastaria manter a aproximação pragmática, baseada apenas em negócios, e não entrar em méritos ideológicos ou polêmicos. Irã e Brasil seriam, igualmente, parceiros comerciais sem a necessidade de pisar no calo de outros países. E muito menos flertar com absurdos e posições indefensáveis.

A boca gigante e irresponsável do ex-presidente pode ter criado um passivo a ser administrado pela presidente Dilma Rousseff.

A postura da presidente, lógica e coerente até o momento, só está sendo questionada por eles porque perderam o apoio que o Governo iraniano tinha do Brasil com Lula no poder.

Tanto é que Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente do Irã, disse à Folha de São Paulo que "a presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito. Ela destruiu anos de bom relacionamento. Lula está fazendo muita falta”.

Tivesse Lula agido com o mesmo pragmatismo de Dilma, sem almejar uma liderança internacional com claros objetivos de se auto promover, e nada disso seria notícia nos dias de hoje.

O que Ahmadinejad quer é apoio num momento que diversos países ameaçam e começam a pressioná-lo. Por isso Lula faz falta; uma ótima marionete para as insanidades de um louco quase medieval.

Vale ressaltar que mesmo que o apoio à postura do presidente do Irã rendesse alguma vantagem comercial, ainda assim não seria uma postura moral a ser adotada.

Esse é basicamente o conceito de valores na administração contemporânea. Valores são aquelas qualidades tão intrínsecas que são mantidas mesmo que representem prejuízos financeiros.

Quais são os valores do povo brasileiro? Defendemos o antissemitismo? Defendemos a opressão das mulheres? Somos favoráveis à energia nuclear para fins militares? Somos favoráveis à supressão da liberdade de um povo? Aprovamos a perseguição de opositores e a censura da imprensa? Queremos que algum país seja varrido do mapa?

Por fim, numa democracia o representante eleito deve defender os valores de seu povo. A grande maioria dos eleitores de Lula nem sequer entendem a questão que envolve o Irã e o regime praticado naquele país. Mas se entendessem, com certeza não aprovariam.

Com relação às exportações de carne, ainda não sabemos se as ameaças são reais, especulações ou simplesmente um blefe dos iranianos.

Seja como for, a conta será paga pelo setor exportador de proteínas. Uma fatura gerada pela irresponsabilidade de um líder que não se lembrou de suas obrigações no exercício do cargo.

Uma pena, um custo alto a ser pago porque um ex-presidente não controlou a própria boca, e nem o seu ego.
 
Categoria: AGRONEGÓCIO | TAGs: Mahmoud Ahmadinejad, Exportações de carne, embargo, Irã, valores, Israel,
 
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Terça-feira, 17 de janeiro de 2012
 
Carpe diem!!
 
“Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço abrevia as remotas expectativas. Mesmo enquanto falamos, o tempo, malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.”
Horácio (Roma, 66 a 8 AC)

Desde a última semana do ano estou com este texto na cabeça. Para variar, fruto de períodos de organização, remexemos com várias coisas antigas: objetos, textos, e-mails, fotos, relatórios, etc. Uma viagem.

E todo ano eu reviso os arquivos guardados e reorganizo por assuntos.

Dentre eles, encontrei um texto que escrevi em setembro de 2005, um período bem difícil para mim.

Eu precisava reunir forças para manter a minha rotina, acompanhar meu pai no final de sua luta contra o câncer e tentar, dentro do possível, manter minha mãe e meus irmãos firmes. Realmente complicado.

Meu pai era um educador. E dentre muitos ensinamentos que nos passou ele sempre me lembrou que a boa relação dos profissionais com a instituição que estudou, e com os ex-professores, é uma das marcas de bons profissionais.

Ela era um incentivador daquela amizade muito valorizada entre os ex-alunos da “Luiz de Queiroz”.

O texto a seguir está entre os últimos que meu pai leu de minha autoria - ele não perdia um texto que eu escrevia. Me lembro dele ter adorado e elogiado muito.

O texto original começa com a mensagem do Horácio, que inicia também este post. A seguir, na íntegra.

Carpe diem, aproveite o dia

“Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço abrevia as remotas expectativas. Mesmo enquanto falamos, o tempo, malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.”
Horácio (Roma, 66 a 8 AC)

Na “Luiz de Queiroz”, escola de engenharia agronômica de Piracicaba, um grande mestre sempre falava: “a vida é momento, carpe diem - aproveitem o dia”.

Porém, pasmos, seus alunos observavam que ele só trabalhava e estudava muito. E, como produzia esse professor... palestras, pesquisas, aulas, textos, extensão. Ele não parava. E sempre carregava junto os pobres estagiários, ávidos por aprender.

Ninguém entendia essa contradição entre discurso e prática. Onde raios, nisso tudo, está o aproveitar o dia?

Compreensível o questionamento dos alunos, afinal a expressão latina carpe diem tem atualmente conotação de irreverência com as coisas, de alguém que “curte a vida” sem maiores preocupações, quase de irresponsabilidade.

Os poucos que usam essa expressão, a emitem num momento de convocação ao relaxamento, algo do tipo “deixa a preocupação para depois” ou mesmo no sentido de “faça agora o que lhe der vontade”.

E lentamente, a expressão carpe diem vai assumindo esse sentido diverso, como tantas outras expressões foram erroneamente interpretadas pela cultura brasileira.

Mas como ficariam decepcionados aqueles que usam a expressão, no sentido mais difundido atualmente, se soubessem o seu contexto original.

Horácio, poeta romano que viveu entre 66 a 8 antes de Cristo, aconselha um amigo, em uma de suas Odes Privadas, a voltar ao trabalho de sempre. Ninguém sabe o que os deuses lhe reservam, afirma Horácio; então, a melhor coisa é parar de sonhar com o futuro, admitir que a vida é curta, e colher os frutos de hoje.

Que decepção com o carpe diem!!! Então aproveitar o dia significa trabalhar? Mais?!

Sim, e por quê não? E o pior é que tem lógica. Lançando mão dos conceitos modernos de administração do tempo, um dos ensinamentos dos especialistas é: “trabalhe com afinco no horário de trabalho” e “divirta-se com afinco no momento de diversão”.

Portanto, se o momento é de trabalho, o carpe diem, de fato, é trabalhar. Se o momento é de diversão, distração, o carpe diem é divertir-se da melhor maneira possível.

Esta linha de raciocínio, na administração do tempo, é usada para que empresários e funcionários gerenciem e planejem seu tempo, mantenham-se focados no presente, mesmo que haja necessidade de planejar o amanhã.

Aliás, a atividade de planejamento, extremamente necessária, é uma atividade do presente. Não se deve confundir o planejamento com a falta de foco no presente.

Administrar bem o tempo, e separar tempos de deveres com os de diversão, também é um ótimo remédio para o controle do estresse.

Segundo o professor Luiz Marins, antropólogo, pesquisas concluíram que grande parte das pessoas passam 70% de seu tempo vivendo no passado, curtindo sentimentos de saudosismo e arrependimento. Outros 25% do tempo são gastos com ansiedade, preocupações com o que está por vir; sofrendo por antecipação. Portanto, grosseiramente, apenas 5% do foco de atenção das pessoas acabam voltados ao presente. Não é de se admirar porque se faz tanta barbaridade administrativa por aí.

Administrar o tempo é um excelente recurso para organizar-se empresarialmente e, ainda assim, ser capaz de ter uma vida alegre, saudável e com qualidade.

E aquele professor da “Luiz de Queiroz”? Estava errado por não saber que o carpe diem envolvia diversão?

Muito pelo contrário. Aquele professor encontrava-se com alunos, conhecia seus pais, frequentava repúblicas, manteve-se jovem de espírito, embora os anos, maldosos como disse Horácio, vão mostrando o avanço do tempo.

Prova disso? Até hoje todos os seus ex-estagiários e admiradores encontram-se anualmente para rever o inesquecível mestre.

Texto dedicado ao professor Godofredo César Vitti, departamento de Solos e Nutrição Mineral de Plantas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. (2005)

Dedicado também ao grande professor João Maurício de Carvalho Nogueira, inesquecível mestre e infalível pai. Foi professor até na partida. (2012)

 
Categoria: GESTÃO E INTERESSANTES | TAGs: Carpe diem, administração do tempo, homenagem ao pai, Luiz de Queiroz, Esalq,
 
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Quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
 
O grande mico de 2011!!
 
De longe, o grande mico de 2011 ficou por conta do vídeo produzido por um grupo de artistas contra a construção da Usina Belo Monte.

Artistas globais, endeusados por uma sociedade que aplaude os heróis dos Big Brothers da vida, fizeram verdadeiros papeis de palhaços, no sentido pejorativo da palavra; não do artístico.

Na arte, um bom palhaço precisa ser muito sério e bem informado. Portanto, sem ofensa ao artista.

Há alguns meses circulou o vídeo dos artistas denominado Movimento Gota D´água, contra a construção de Belo Monte.

Recebi o vídeo assim que ele começou a ser divulgado. Na época, sem tempo, nada escrevi sobre o assunto. Na verdade, precisaria de um dia de 100 horas e tempo integral para isso se eu fosse escrever cada vez que me deparo com uma baboseira técnica, escrita em defesa de alguma ideologia.

Não dá para chamar de outra coisa: desonestos, agindo de má fé e extremamente ignorantes. Para mim, descrédito absoluto para todos que aparecem no vídeo a seguir.

Vídeo do movimento Gota D´água


Será digno de perdão aquele, ou aqueles, que aparecerem diante do público para pedirem desculpas por essa atitude impensada ou irresponsável. Na verdade ambas.

Aceitaria uma desculpa mais ou menos assim: “Venho a público me desculpar pelo fato de que, apesar de minha total ignorância no assunto, acabei confiando em informações de gente de má fé que, na defesa se seus interesses escusos, me convenceram a gravar um vídeo totalmente falacioso, deturpado, equivocado e com erros grosseiros até de geografia. Por isso, peço humildemente desculpas ao público por ter colocado minha imagem, e minha credibilidade, a serviço da mentira.”

Aí sim, mereceriam algum crédito pela dignidade da atitude. Mas, enquanto não se desculpam pelo vídeo, vou me contentando, e muito, com o papel ridículo que fizeram.

Diante da divulgação, a sociedade logo se levantou contra as mentiras. Estudantes e profissionais informados, municiados de câmeras baratas e acesso à internet, reagiram às estrelas. Com vídeos bem elaborados, como o feito por alunos da Unicamp, ou extremamente caseiros, como diversos outros que foram ao ar, cidadãos comuns, e bem mais capazes do que os bobocas desavisados, desmascararam o excesso de mentiras contidas no vídeo.

A revista Veja destacou essa reação numa matéria intitulada O Nocaute das Estrelas , veiculada no início de dezembro último.

A matéria derruba a máscara dos atores. E melhor ainda, a base dos argumentos veio do cidadão comum, atento à ciência e ao desenvolvimento, e cansado de asneiras proferidas por artistas alienados, loucos para se agarrar a alguma causa “politicamente correta”.

Argumentos sólidos e objetivos atropelaram a arrogância e o sarcasmo dos atores globais - que deveriam zelar um pouco melhor da própria imagem, e da imagem da emissora que os mantém.

Como foi bem colocado por André Eler e Laura Diniz, na abertura da matéria da Veja, ao propagarem a desinformação em vídeo sobre a usina de Belo Monte, os atores viraram piada na web.

É isso, piada! Essa é um das boas classificações que deveríamos usar aos no referirmos a bocudos querendo dar uma de doutores em assuntos que ignoram totalmente.

Apenas para resumir, vou listar alguns dos flagras desconcertantes do vídeo.

- Confundiram o Pará com o Mato Grosso e a direção que corre o rio Xingu. O parque nacional do Xingu fica cerca de mil km acima da barragem e não abaixo. E ainda, logo no início, perguntam se alguém já foi à Amazônia. Pelo visto não!!!

- Disseram que hidrelétricas não produzem energia limpa, sendo que na hidrelétrica, o insumo para produzir a energia é a água. O que sai, depois de produzida a energia, é a mesma água.

- Disseram que a usina irá produzir apenas 30% da capacidade, sendo que será 40%, algo comum para os projetos de hidrelétricas, pois alguns meses do ano a vazão de água é menor.

- Ah, e a eficiência da Usina só não será maior por causa da pressão de ambientalistas que impediram o aumento da área para reservatório de água antes de se concretizar o projeto. A área total alagada será cerca de apenas 1/3 do projeto original.

- Essa é uma das razões também da maior participação do Estado no lugar da iniciativa privada para Belo Monte. E é por isso que o investimento usará tantos impostos, dinheiro público. Algo óbvio, haja vista que a energia produzida será usada por brasileiros.

- E não serão, pelo menos não deveriam ser, R$30 bilhões e sim R$19 bilhões.

- Belo Monte será a terceira maior usina do mundo em potencial energético e não em área alagada.

- O rio Xingu não seca, nem totalmente e nem praticamente.

- Passam a impressão de que não há necessidade de construir Belo Monte, sendo que o projeto terá potência média de 4 571 megawatts — o suficiente para prover 40% de todo o consumo residencial do Brasil. No país, só Itaipu produz mais energia.

- Apontam a energia solar e eólica como alternativa em larga escala. Além de extremamente caras, essas fontes não são viáveis por diversos aspectos. Para gerar a mesma capacidade de energia, a eólica, por exemplo, além de muito mais cara, ocuparia área de duas vezes (na melhor das hipóteses) a cinco vezes maior do que a área alagada por Belo Monte.

- A propósito, é irônico o momento em que um dos atores fala que que é possível “criar” outras alternativas. Começa a listar e chega ao impressionante números de DUAS fontes alternativas, ambas inviáveis.

- Nenhum dos 2.200 índios da região vive na área a ser alagada. Aliás, eles estão satisfeitos com a obra. “A usina vai melhorar a nossa vida. Ela vai trazer mais progresso para nossa aldeia.” cacique Manuel Juruna (Revista Veja).

- Ari Fontoura, que não é mais nenhum menininho para se engajar nessas idiotices, ironiza que índios não querem nada da civilização. Certamente sabe tuuudo de índios.

- E bem lembrado por Reinaldo Azevedo respondendo a uma das perguntas, de Ciça Guimarães: “Ainda tem índio no Brasil?”
“Tem, sim, minha senhora! Proporcionalmente, eles são donos da maior fatia do território brasileiro. Correspondem a 0,7% da população brasileira (isso porque mais gente passou a ser “índia” depois das dermarcações) e tem sob seu domínio, hoje, 13% do território do país.”

- Quase metade da área de 520 quilômetros quadrados a ser inundada por Belo Monte faz parte do próprio leito do rio.

- A outra metade é coberta por pasto, lavouras de cacau e mata nativa.

- As famílias que serão removidas vivem na periferia de Altamira, às margens do Rio Xingu — e em condições que em nada lembram o cenário idílico das novelas. Serão removidas para locais com saneamento e estruturas dignas de habitação.

- Por fim, a mãe de todas as besteiras proferidas no vídeo... Letícia Sabatella sentencia sobe o fato da energia hidrelétrica ser ou não uma fonte limpa: “Seria energia limpa se fosse no deserto, mas na floresta?” Sem comentários!! Essa só vale a carcaça mesmo, conteúdo zero, sem chance de reversão!!!

Uma rápida navegada pelos sites que comentam sobre o assunto é suficiente para ver que muitos acharam pesadas as críticas aos atores.

Eu discordo! Informação errada, pressões ideológicas, falácias, campanhas irresponsáveis, obscurantismo levam ao assassinato do bom senso. Por pressão, as decisões e os projetos acabam não saindo como deveriam.

A própria Belo Monte é um exemplo. Fosse o reservatório maior, a capacidade de geração de energia seria igualmente maior e de menor custo. Em caso de escassez, nos anos mais secos, ou diante do aumento da demanda, precisaríamos contar menos com a energia que virá de termelétricas, essas sim fontes emissoras de carbono.

Por isso, não acho que pegaram pesado com os atores; apenas pagaram o preço da idiotice com uma das mais humilhantes moedas: o vexame.

Fôssemos uma sociedade séria e a mentira pública, proferida por gente que tem tamanha credibilidade, seria punida judicialmente. Até mesmo com cadeia.

A credibilidade de um artista deveria ser acompanhada de responsabilidade crescente sobre o que fala ou o que faz. Aí sim começaríamos a zelar por bons exemplos, por responsabilidade e por educação. Aliás, como pedir por educação quando pessoas públicas, idolatradas pela sociedade, mostram tanto desprezo pela ciência?

Conscientização, queridos, conscientização...

Sem contar o sarcasmo, em si, uma grosseria sem tamanho.

Como bem colocado pela revista Veja, se os atores tivesse realmente pesquisado sobre o assunto, nunca gravariam aquele vídeo.

É mais ou menos isso que distingue o sábio do idiota. O sábio sempre tem algo a dizer. O idiota tem sempre que dizer algo.
 
Categoria: SOCIAIS E AMBIENTAIS | TAGs: Belo Monte, artistas globais, falácias, eco-terrorismo, energia elétrica, Rio Xingu, Revista Veja, energia limpa, hidrelétrica,
 
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Segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
 
A terra devolve!
 
Ano novo, vida nova!!! É uma das expressões mais ditas na passagem de um ano para o outro. Apesar de ser apenas simbólico, a virada do ano tem algo de mágico, um sentimento de renovação, recomeço e reflexão.

Para mim a simbologia se transforma em ações práticas, pois uso o período entre Natal e Ano Novo para reorganizar as coisas todas. Este ano, em particular, foi mais intenso. Esposa, sogra e minha mãe tiraram o final de ano para organizar toda a casa de Casa Branca, um verdadeiro bota-fora e organiza. Havia muita coisa desorganizada por causa da reforma na casa da minha mãe. As coisas dela acabaram ficando em casa, nos diversos cômodos.

E já que está arrumando, por que não algumas mudanças que queriam fazer há algum tempo? Aí vão quartos, salas, sala de TV, churrasqueiras, cozinhas, etc. Não tem fim.

Eu fiquei só com a organização o escritório, o que já é muito...

Bom, dizem os psicólogos que essa sensação de renovação de início do ano é bem positiva, repõe as nossas cargas e reforça a disposição para enfrentar o início do ano.

Pelo menos comigo funciona bem. E eu sempre associei a mudança de ano com cores. Fica o acinzentado e surrado ano velho para trás e começa o azulado ano novo para frente. Espero sempre que a conta bancária também fique azulada...

Por isso queria colocar já no início do ano algum post positivo, entusiasta, apenas para abrir o ano que os maias transformaram em agourento.

Eu aqui, na minha sala limpinha, limpinha, sem bagunça nenhuma na mesa, quadrinhos novos na parede, nova disposição de mesas e outros móveis e etc., pensando no que escrever quando me deparo com uma notícia interessantíssima veiculada no Estadão on line de hoje.

Uma fazendeira sueca encontrou a sua aliança pregada em uma cenoura. A aliança havia se perdido 16 anos atrás. Ao ler a manchete, quase desprezei a notícia. Imaginei ser alguma loucura destes maridos românticos que adoram uma surpresinha criativa, com tudo para dar errado.

Mas não!! A cenoura que a fazendeira iria jogar fora, por ser pequena, cresceu bem no meio da aliança.

A terra devolveu a ela um bem valioso, mais pelo que representa do que pela joia em si. Achei essa história fantástica.

E melhor ainda é a metáfora que podemos fazer em cima deste caso. Não interessa quantos anos demore, a terra devolve o que colocamos nela.

Sendo assim, cultive apenas coisas boas. Não semeie o mal, porque um dia acabará colhendo.

Veja a matéria na íntegra, publicada via BBC Brasil.

Mulher encontra aliança de casamento em cenoura após 16 anos

Uma fazendeira sueca encontrou a aliança de casamento que havia perdido 16 anos atrás em uma cenoura de seu jardim, segundo o jornal Dagens Nyheter.



Lena Pahlsson disse que já não tinha mais esperança de encontrar o anel, que ela própria havia desenhado.

A aliança de ouro branco com sete pequenos diamantes sumiu em 1995, depois que Lena a tirou do dedo para preparar as comidas para a ceia de Natal com suas filhas.

A fazendeira, que vive perto de Mora, na região central da Suécia, disse ao jornal Dagens Nyheter que o anel sumiu de cima da bancada, onde tinha sido colocado.

Anos depois, durante uma reforma na cozinha, a família voltou a procurar pela aliança, sem sucesso.

Foi apenas algumas semanas atrás que o anel foi encontrado de forma inusitada.

Lena estava colhendo cenouras de seu jardim e estava prestes a jogar fora uma delas porque era pequena demais, quando notou um brilho diferente.

Ela chamou a filha Anna, que tinha apenas seis anos de idade quando o anel desapareceu, e as duas não conseguiam acreditar que a aliança pudesse estar em torno da cenoura. Seu marido também se surpreendeu.

"A cenoura cresceu no meio do anel. É inacreditável", disse Ola Pahlsson ao jornal sueco.

O casal acredita que a aliança tenha caído na pia em 1995 e se perdido em meio a cascas de legumes que foram transformadas em adubo.

O problema é que, 16 anos depois, a aliança cabe apenas no dedo mindinho de Lena. Ela disse ao Dagens Nyheter que vai mandar aumentar o anel.

"Agora que reencontrei a aliança quero poder usá-la novamente", disse ela.

Fonte: BBC Brasil/ O Estado de São Paulo

 
Categoria: SOCIEDADE | TAGs: Ano novo, otimismo,
 
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Sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
 
Rei da estrada
 
Minha paixão por motos é quase incontrolável. Depois de meses praticamente sem pilotar, acabei comprando a moto que estava querendo há tempos. No finalzinho do ano, consegui uma das poucas unidades prata disponível.

Nos últimos meses fiquei fora da estrada por diversos projetos que me tomaram muito tempo no segundo semestre. Além dos projetos, uma suspensão de um mês, por excesso de multas, jogou água fria nos meus planos de “cair na estrada” em duas rodas. Ótimo, a demora apenas aumentou o gostinho no final.

E foi assim que finalmente, no dia 22 de dezembro, saí de São Paulo rumo a Casa Branca pilotando uma Road King Classic, zerada. Que delícia!!!

Foto 1: Road King


Repeti a sensação que tive quase três anos e meio antes, no dia 9 de agosto de 2008. Naquela ocasião, subi pela primeira vez em uma Harley-Davidson e saí, num sábado chuvoso, da avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, também rumo à Casa Branca.

Na época, eu nunca havia pilotado uma Harley e tão pouco havia pego o trânsito de São Paulo numa moto. Mesmo assim, com chuva, encarei o desafio e adorei pra valer.

Daquele agosto de 2008 até agora foram muitas viagens e passeios de moto. A maioria aos finais de semana, embora algumas saídas tenham tomado dias de trabalho. Um pouco de descanso para substituir as férias que nunca tiro.

Bom, ter uma Harley-Davidson sempre foi um sonho, desde criança. Assistia a filmes americanos e queria ter uma daquelas motos “barulhentas”, para alguns, e musicais para os apaixonados. Em 2008 nem titubeei; apareceu uma oportunidade e comprei a minha primeira Harley, uma Heritage Classic 2008.

Foto 2: Heritage Classic


Como todo bom Harleyro ou Harlyista, modifiquei toda a moto, primando pela beleza e pelo conforto. Como no motociclismo beleza e conforto não combinam, acabei transformando a minha Heritage num verdadeiro “lego”. Em questões de minutos é possível retirar ou colocar o sissy-bar (encosto do garoupa), os alforjes e o banco traseiro. Também são rapidamente removíveis o encosto do piloto, a grelha de bagagem (no lugar do banco do passageiro) e o para-brisa, que chamamos de “bolha”.

E assim é possível administrar beleza e conforto dependendo da distância que será percorrida. E foram várias outras mudanças feitas na moto, como a instalação do guidom “seca-sovaco” que recentemente foi retirado para vendê-la.

Seca-sovaco é aquele guidom alto, que nos Estados Unidos chamam de pendura-macacos.

Bom, nem é preciso dizer da tristeza que deu em me desfazer da Heritage. Descobrir essa paixão fez muito bem para o meu humor, tanto é que alguns meses depois de comprar a minha moto eu nunca mais tive as crises crônicas de aftas, problema comum em mim, relacionado a estresse.

Foi também nos finais de semana sobre a Heritage, durante horas e horas de estrada, que cheguei a uma das decisões mais importantes que tomei nos últimos anos: fundar a minha própria empresa.

Comprei a moto no dia 9 de agosto e no dia 11 de novembro a Bigma Consultoria era oficialmente fundada.

A estrada, o maravilhoso som do motor Harley-Davidson e a inigualável sensação de liberdade durante a pilotagem foram, e continuam sendo, fundamentais aos meus momentos de reflexão. São os momentos mágicos em que os diversos problemas dão lugar às possibilidades, abrindo espaço para decisões acertadas; corajosas, audazes, mas acertadas.

Nessa época também comecei a fazer as inúmeras amizades que fiz no motociclismo. Por diversas vezes, aos sábados, saía de madrugada de Casa Branca rumo à São Paulo. Encontrava com o pessoal para o café da manhã, rodávamos uns 200 km e ao final da tarde eu voltava para Casa Branca. A brincadeira totalizava de 700 a 800 km por passeio; e eu chegava chateado porque o dia estava acabando.

É evidente que a moto não é responsável pelas decisões e pelos amigos que somei. Mas posso dizer que a serenidade que atinjo ao pilotar potencializa em mim o que eu tenho de melhor. Para mim, a moto é atenção e reflexão; o que me relaxa depois de um passeio. Acho que vem daí a grande paixão que tenho pelo motociclismo.

A Heritage está sendo vendida com 42 mil km, muito pouco para quem se diz apaixonado e tenha ficado pouco mais de três anos com a moto.

Por isso eu preciso destacar que neste período outras duas Harley-Davidson passaram pelas minhas mãos. Por intermédio de minha esposa Liège, “parceirassa” de estrada, acabamos comprando uma Sportster 883R (2008), que depois foi trocada por uma Electra Classic (2007).

A Liège, que viajava na garupa, passou a seguir em outra moto. Ela e outras meninas corajosas fundaram o “Ladies of the Road”, grupo que já organizou vários eventos e aventuras pelas estradas. Mesmo assim, quem acabou mais andando nas motos foi eu mesmo, pois sempre percorro o trajeto entre Casa Branca e São Paulo; ou viajo de moto em visitas a clientes que tenho mais liberdade.

Foto 3: Sportster 883R


Foto 4: Electra Glide Classic


Somando tudo, e descontando o que a Liège pilotou, eu andei cerca de 76 mil km neste período.

Há pouco mais de quatro meses, mais focada em alguns projetos pessoais e profissionais, Liège decidiu ficar um tempo sem pilotar, o que nos levou a decisão mais prática de nos desfazer da segunda moto. Em breve ela deve comprar a moto que gosta: a Rocker ou a V-Rod (Eca!!!!, pras duas).

Eu, por outro lado, seguirei firme na minha nova paixão. Faz tempo que tenho vontade de ter uma Road King e confesso que após ter comprado a Electra, fiquei um pouco arrependido de já não ter optado pela Road. Desde então prometi que a próxima Harley que eu compraria seria ela.

E aí está, o Rei da Estrada!!!

Uma curiosidade da Road King. Dizem que o desenho frontal representa a cabeça de um touro Hereford. Até procurei algumas fotos para comparar, mas não vi semelhança. De qualquer maneira, fica aí a foto para a criatividade dos mais criativos.

Foto 5: Vista frontal da Road King

 
Categoria: DIVERSÃO E HUMOR | TAGs: Motos, Road King, Harley-Davidson, Bigma Consultoria, reflexão, estrada, heritage, sportster, electra,
 
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