Na época de minha infância e adolescência eu adorava tomar chuva a cavalo. Período de férias era sempre farto, nos meses de dezembro e janeiro, o tempo todo na fazenda.
Acabava a ordenha, eu, meus irmãos e primos saíamos a cavalo. Quanto mais chuva, melhor. Cavalgar na toada, como dizemos no interior de São Paulo, com o barulho das gotas d´água batendo no chapéu e na capa era uma delícia. Quanto mais forte a chuva, melhor, a água parecia ser quente.
Confesso que tinha medo de descargas elétricas quando cavalgava durante temporais. Era amedrontador abrir colchetes ou passar em trilhos próximos a cercas. Procurar abrigos embaixo de árvores então... nem sob ameaça do rebenque.
Cresci um pouco mais e meu pai já me passou a responsabilidade de serviços em tratores, aliviando os funcionários da propriedade. Propriedade pequena, de leite, sempre trabalha com mão de obra apertada. Qualquer alívio era sempre bem-vindo.
Não são todos os serviços que poderiam ser realizados sob chuva forte, mas alguns eram possíveis. E lá ia eu, alegre pra valer, quando era possível trabalhar na chuva. O mesmo som das gotas no chapéu, junto com o forte ruído do motor do trator. Uma verdadeira orquestra.
Ah, sempre preferi chapéus a boné. Preferencialmente de feltro...uma questão de hábito, provavelmente herdada de meu avô. Meu pai já preferia chapéus do tipo panamá.
Sempre fui de assumir responsabilidades e gostar disso. A partir do momento que passei para o trator, perdeu o sentido cavalgar apenas por cavalgar. A menos que não houvesse nada a fazer de serviço, algo absurdamente raro numa fazenda. Como a propriedade era pequena e o gado era leiteiro, não havia serviços a cavalo.
Daí minha alegria foi ficando apenas no trator, somando o ruído do motor ao barulho da chuva. E eram todos os serviços possíveis, quando a ausência de aulas me permitia refúgio na fazenda: roçar pastos, correr linha de energia, transportar a mais variada gama de objetos, cortar cana e/ou capim, ensilar, etc.
O medo dos relâmpagos, ou de “morrer de trovão”, foi diminuindo porque, erroneamente, eu acreditava que a borracha dos pneus me protegeria. Apenas um pouco antes da universidade que fui me familiarizar com o conceito de Gaiola de Faraday. Ou seja, apenas em veículos fechados você é protegido de descargas elétricas, e não nos pequenos tratores que usávamos na propriedade. Como é doce a ignorância.
Fui nessa rotina até o final de meu curso superior, na “Luiz de Queiroz”. Com os anos, cada vez mais os estágios iam tomando o tempo que antes era da fazenda. Quando comecei a trabalhar então, piorou tudo. A noção das necessidades te obriga a sair de atividades que você sabe que devem ficar com os funcionários. Sabemos que a nossa utilidade é melhor desempenhada destinando tempo com planejamento, gerenciamento e coordenação das atividades. Mais uma vez, deixa-se de fazer apenas o que gosta para se fazer o que precisa.
Subir num trator para executar alguma atividade ficou cada vez mais raro. E lá se vão 15 anos desde que me formei em engenharia agronômica. Hoje, se eu quiser operar um trator, acabarei atrapalhando mais do que ajudando.
Mesmo assim, não perdi as minhas raízes. E ontem, me dei conta disso indo de São Paulo a Casa Branca, de moto, sob plena chuva durante os 235 km que separam uma cidade da outra.
Não existe mais o barulho do chapéu. O capacete é sem graça. Mas a capa de chuva grossa segurando aquelas “pancadas” das gotas, potencializada pela velocidade da moto, me remontam a alegria da minha infância e adolescência.
Ontem vim sorrindo de alegria, por duas horas e meia, durante todo o trecho que percorri em minha moto. E acabei me dando conta de algumas coisas que envolvem o meu hobby relatado por tantas vezes aqui.
O próprio estilo de moto que gosto lembra uma montaria. Motos grandes, robustas e com alforjes, preferencialmente. Na verdade, para mim, a presença de alforjes é quase obrigatória.
Eu associo tanto o motociclismo a cavalos que eu só subo na moto pelo lado esquerdo, tal qual em uma montaria.
Alguns amigos motociclistas vivem rindo de mim por este hábito. De fato, para o cidadão urbano que nunca conviveu com o campo, é até estranho dizer que só se sobe pelo lado esquerdo em um animal.
Mas para nós, que convivemos com a pecuária e com o campo em geral, trata-se de um conhecimento básico, tão automático quanto respirar.
E ontem, como sempre refletindo enquanto piloto, fui fazendo todas essas associações com o passado e com a lembrança de períodos tão maravilhosos e importantes da minha vida.
Já escrevi que não sei como minha paixão por Harley-Davidson surgiu, pois a tenho desde criança também. Mas uma das coisas que mais me atraem na Harley-Davidson é o som do motor. É fato que a introdução da injeção eletrônica tirou um pouquinho da beleza do som das harleys, mas ainda assim continua ótimo.
O som de uma Harley não é parecido com o de um trator, mas me lembra aquela reunião de prazer, emoção e motores.
Quando chove, apesar do risco maior, o que inclui barbeiragens de outros veículos, o motociclismo me leva a um passeio para o meu passado em dois períodos diferentes, mas igualmente gostosos: cavalos e tratores.
É pena que ainda não inventaram um capacete que substitua o chapéu.
Comer carne é ético pela própria definição de ética.
Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana. Trata-se da busca de um equilíbrio para que um grupo, organização ou sociedade se mantenha funcionando, sem que haja prejuízo de alguns.
Embora este conjunto de valores possa ser formalizado e, em alguns casos, até transformados em códigos de conduta ou leis, normalmente a ética é intrínseca. São valores arraigados, construídos a partir da trajetória histórica e cultural. Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios valores éticos.
Para os hindus, por exemplo, comer carne bovina é antiético. Para os muçulmanos é o consumo de carne suína que é antiético, e por aí vai. Chega-se ao extremo de minorias raríssimas não aceitarem consumir nada que esteja vivo. Para eles, é antiético comer frutas, legumes e verduras.
Pois bem, quanto maior é a liberdade desfrutada por uma sociedade, maior será a importância da ética, como meio de nortear os valores comuns. Por isso o conceito só é discutido onde a liberdade floresce. É essencial em sociedades democráticas, livres.
E na democracia é o conjunto de valores intrínsecos da maioria que define a ética comum. E mesmo assim, nessas sociedades, respeitar e defender os direitos das minorias faz parte do código de ética.
No entanto é fundamental lembrar que a vontade das minorias deve ser respeitada; e não prevalecida.
Quando os valores e a vontade de uma minoria prevalecem, a liberdade já deixou de existir.
Nesse caso a ética perde a importância, pois os códigos de conduta são ditados e, geralmente, transformados em leis. Precisa virar lei, pois a maioria não concorda.
Portanto, usar a bandeira da ética como clava de intimidação para que os valores de uma minoria prevaleçam é, em si, um comportamento antiético. Vai contra os princípios libertários, há muito almejados pela sociedade ocidental, descendente da cultura greco-romana.
Por outro lado, os valores morais de uma sociedade não são imutáveis.
Conceitos como o próprio julgamento entre o bem e o mal fazem parte do processo de evolução. Com isso, o conjunto de valores vai mudando à medida que a sociedade evolui e novos conhecimentos vão sendo incorporados.
Essa particularidade dá legitimidade para que alguns grupos, visionários, iniciem um processo de mudança nos códigos de ética das sociedades livres.
Por constatação, e pela ciência, valores equivocados vão sendo substituídos por valores novos, num processo desconfortável de quebra de paradigmas da maioria. Exemplo disso? Católicos fervorosos passaram a aceitar que a Terra é redonda e gira em torno do Sol.
Por isso que os vegans e vegetarianos, catequizadores, defendem a legitimidade de dizer que aqueles que consomem carne são antiéticos.
No entanto, a argumentação destes grupos é baseada em mentiras e meias verdades, principalmente as associadas a conceitos de sustentabilidade. A ciência prova que a criação de animais para o consumo humano é sustentável.
Deste modo, aqueles que questionam a ética no consumo de carne baseiam-se, eles próprios, em padrões antiéticos de comportamento: mentira, intimidação, desinformação, deturpação de dados, falsos testemunhos, desmoralização, etc.
Neste formato, a discussão não se insere no legítimo processo de evolução da ética humana. É a simples vontade de uma minoria buscando prevalecer sobre a maioria. É um atentado à liberdade.
E pior, usam a base libertária e tolerante da nossa ética para atacá-la de forma vil e covarde.
Sendo assim podemos afirmar que consumir carne é ético!!! Desmoralizar quem consome é antiético.
Desde o início dessa semana está circulando um vídeo elaborado pela turma de 1957, formada na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.
O vídeo mostra a realidade do pessoal que estudou na Esalq naquela época, a rotina deles até o momento da formatura e início dos trabalhos como engenheiros agrônomos. Naquela época era o único curso oferecido pela instituição.
Além da Esalq e da rotina dos alunos, o vídeo mostra um pouco da romântica Piracicaba daquele tempo.
São pouco mais 16 minutos e garanto que irá agradar e emocionar mesmo aqueles que não se formaram na “Luiz de Queiroz”.
Cheguei em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na sexta-feira a noite, dia 17 de fevereiro. Eram 23:30h no horário local, e 17:30h no horário do Brasil. São seis horas de diferença daqui para o Brasil.
Passei por alguns problemas antes de vir. O meu visto não foi liberado a tempo. Entrei no país dois dias depois de previsto, com uma passagem para Beirute e pedindo um visto temporário.
Na segunda-feira, dia 20 de fevereiro, meu visto finalmente acabou saindo possibilitando a minha estadia até a quinta-feira, 23 de fevereiro, quando iremos embora.
Minha vinda para Dubai foi um pouco acidental. A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) participa da maior feira de alimentos do Oriente Médio. Minha esposa Liège e meu amigo, e padrinho de casamento, Fernando Sampaio (vulgo Alma, famoso neste blog), são, respectivamente, gerente e diretor da Abiec.
Junto com o Camardelli, presidente, os que participariam da feira convidaram os respectivos e respectivas para viajarem junto, aproveitando o período de carnaval para acompanhar a família. Pagaríamos, evidentemente, as despesas de nossa viagem e estaríamos aqui com eles.
No entanto, alguns imprevistos impediram a vinda das esposas do Fernando e do Camardelli. Apenas eu acabei vindo a mais para Dubai. Mesmo assim, está valendo a pena.
A feira de alimentos é também de meu interesse, pois trabalho com mercado de proteínas animal na Bigma Consultoria.
Além de passar os dois primeiros dias ajudando a Abiec no stand, pude circular pelos principais concorrentes do Brasil nas exportações de carne bovina, além de conversar com muita gente.
E como oportunidades não deves ser desperdiçadas, acabei abrindo dois contatos interessantes com empresas brasileiras que atuam no mercado do oriente médio. E assim vão meus dias aqui em Dubai, parte a trabalho, parte fazendo turismo.
Ótimo, pois não conhecia essa região do globo. E como diz o grande guru da pecuária leiteira, Arthur Chinelatto, viajar é um dos melhores remédios contra a ignorância.
Bom, sobre o turismo que fazemos em Dubai, apesar de muito interessante e das maravilhas da arquitetura da cidade, foram as condições geográficas da região que mais me empolgaram.
Conhecer o deserto, para mim, está sendo muito excitante.
Alguns diriam que é azar, mas para mim foi sorte. Nós chegamos um dia depois de acabar uma tempestade de areia que levou vento e partículas de terra por toda Dubai. A vista toda estava tomada pela areia, além do que ficava entrando nos olhos, boca e nariz. O Alma, que chegou um dia antes, pegou a tempestade ainda mais forte.
Foi possível ter a noção de que quando o vento levanta a areia do deserto, você dificilmente consegue manter seus olhos abertos e quiçá encontrar o Sol para se localizar, caso esteja em terreno desconhecido.
Junte isso às paisagens, incrivelmente sem referência do deserto, e é possível entender porque uma travessia acaba sendo extremamente perigosa e árdua.
Veja, na foto, um Hummer se deslocando entre as dunas do deserto. Estávamos, eu, Liège, Gerson (do Barbacoa) e Fernando a bordo de outro Hummer num passeio que os guias só se deslocam em grupos, mesmo conhecendo a região.
Foto 1. Passeio que contratamos pelo deserto, a bordo de um Hummer
A paisagem da foto fica ainda mais desoladora quando estamos ao vivo, olhando e sacolejando entre as dunas.
Vez ou outra, uma arvorezinha e algumas moitinhas apareciam nas paisagens. Mais perto da estrada ainda víamos pequenas fazendinhas de camelos ou dromedários (confesso que sempre esqueço qual que é qual). Na verdade as fazendas eram cercadinhos.
Foto 2. Eu no deserto
Foto 3. Eu no deserto
O passeio ainda contou com umas paradas “pega-turista” para que os locais vendessem todos os acessórios que temos direito.
As paradas, quando feitas apenas uma vez, são até interessantes. Os hotéis montaram uma típica tenda árabe no meio deserto, onde oferecem pinturas para as mulheres, passeios em camelos, aluguéis de quadriciclo e um pacote de shows típicos.
Por cerca de 3 horas ficamos nessas tendas típicas consumindo produtos e assistindo a danças folclóricas da região, inclusive a dança do ventre.
Vejam algumas fotos.
Foto 4. Liège no passeio pelo deserto
Foto 5. Fernando (Alma), Gérson do Barbacoa e eu, a caráter para o deserto
Foto 6. Eu e Liège subindo no camelo
Foto 7. Eu e Liège numa voltinha pelo camelo. Ô bicho alto!!!! Prefiro a Harley.
Está valendo muito a pena. Embora poucos dias e um descanso meio que fajuto, pois estou tendo que trabalhar pelo menos umas 5 horas por dia, é sempre muito interessante conhecer culturas bem diferentes da nossa.
A seguir, como gosto de história, selecionei um pouco do que achei mais interessante sobre Dubai.
Um pouco da história de Dubai, adaptado do Wikipedia
Dubai (em árabe Dubayy) é um dos sete emirados e a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos (EAU) com aproximadamente 2,26 milhões de habitantes.
Dubai está situada na costa do Golfo Pérsico, nos Emirados Árabes Unidos e está praticamente ao nível do mar (16 metros acima). O emirado de Dubai divide suas fronteiras com Abu Dhabi, no sul, Sharjah, no nordeste e com o Sultanato de Omã no sudeste.
Dubai situa-se dentro do deserto da Arábia. No entanto, a topografia de Dubai é significativamente diferente da topografia encontrada na porção sul dos Emirados Árabes Unidos, visto que grande parte da paisagem de Dubai é destacada por padrões de deserto de areia e cascalho, enquanto os desertos dominam grande parte da região sul do país.
A areia é composta principalmente de conchas e corais.
Dubai não tem nenhum rio ou oásis natural, no entanto possui um estuário natural, a Enseada de Dubai, que foi dragada para torná-la suficientemente profunda para que navios de grande porte possam atravessá-la.
Um vasto mar de dunas de areia cobre grande parte do sul de Dubai e, eventualmente, leva para o deserto, conhecido como Rub' al-Khali.
O deserto de areia que rodeia a cidade suporta gramíneas selvagens e, ocasionalmente, tamareiras.
No deserto, jacintos crescem nas planícies sabkha, à leste da cidade, enquanto a acácias e árvores ghaf crescem nas planícies próximas das Montanhas Ocidentais Al Hajar. Várias árvores autóctones, como as tamareiras e neem, bem como as árvores importadas, como o eucalipto crescem em parques naturais de Dubai.
Abetarda, hiena listradas, caracal, a raposa do deserto, falcão e Órix-da-Arábia são espécies comuns no deserto de Dubai. Dubai está no caminho de migração de aves entre a Europa, Ásia e África, e mais de 320 espécies de aves migratórias passam pelo emirado, na Primavera e no Outono.
As águas de Dubai são o lar de mais de 300 espécies de peixes, incluindo a garoupa.
Dubai é conhecida mundialmente por ser extremamente moderna, "futurista" e com enormes arranha-céus e largas avenidas.
Existem registros da existência da cidade pelo menos 150 anos antes da formação dos Emirados Árabes Unidos. Dubai divide funções jurídicas, políticas, militares e econômicas com os outros emirados, embora cada emirado tenha jurisdição sobre algumas funções, tais como a aplicação da lei civil e fornecimento e manutenção de instalações locais.
Dubai tem a maior população e é o segundo maior emirado por área, depois de Abu Dhabi. Dubai e Abu Dhabi são os únicos emirados que possuem poder de veto sobre questões de importância nacional na legislatura do país.
Dubai tem sido governado pela dinastia Al Maktoum desde 1833. O atual governante de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, é também o Primeiro-Ministro e Vice Presidente dos Emirados Árabes Unidos.
Em 1820, Dubai era conhecida como Al Wasl por historiadores britânicos. No entanto, poucos registros referentes à história cultural dos Emirados Árabes Unidos, ou seus componentes, existem devido à tradição oral da região em passar suas tradições através do folclore e de mitos.
As origens linguísticas da palavra Dubai também estão em disputa. Alguns acreditam que a palavra possa ter origem persa, enquanto outros acreditam que o árabe seja a raiz linguística da palavra.
De acordo com Fedel Handhal, pesquisador da história e da cultura dos Emirados Árabes Unidos, a palavra Dubai pode ter vindo da palavra Daba (um derivado do Yadub), que significa rastejar.
A palavra pode ser uma referência ao fluxo da enseada de Dubai para o interior.
Muito pouco se sabe sobre a cultura pré-islâmica no sudeste da Península Arábica. Sabe-se apenas que muitas das cidades antigas na área eram centros de comércio entre os mundos Oriental e Ocidental.
Os restos de um antigo manguezal, datados em 7 mil anos, foram descobertos durante a construção de linhas de esgoto perto de Dubai Internet City.
A área foi coberta com areia cerca de 5 mil anos atrás, como o litoral recuou para o interior, tornando-se uma parte da costa atual da cidade.
Antes do Islã, o povo desta região adorava Bajir (ou Bajar). Os impérios Bizantino e Sassânidas eram as grandes potências da época, com o Sassânidos controlando grande parte da região.
Após a expansão do islamismo, o Califa Omíada, do mundo oriental islâmico, invadiu o sudeste da Arábia e expulsou os Sassânidos. As escavações realizadas pelo Museu de Dubai, na região de Al-Jumayra (Jumeirah) indicam a existência de diversos artefatos a partir do período omíada.
A mais antiga menção de Dubai é de 1095, no "Livro de Geografia" pelo geógrafo árabe-Al-Andalus Abu Abdullah al-Bakri. O mercador veneziano de pérolas, Gaspero Balbi, visitou a área em 1580 e mencionou Dubai (Dibei) para a sua indústria de pérolas.
Registros documentais da cidade de Dubai só existem depois de 1799.
No início do século XIX, o clã Al Abu Falasa (Casa da Al-Falasi) da triboBani Yas estabeleceu-se em Dubai, que ficou sob controle de Abu Dhabi até 1833.
Em 8 de Janeiro de 1820, o xeque de Dubai e outros xeques na região assinaram o "Tratado de Paz Geral Marítima", com o governo britânico.
No entanto, em 1833, a dinastia Al Maktoum (também descendentes da Casa de Al-Falasi) da tribo Bani Yas assumiu o controle de Abu Dhabi e tomou Dubai do clã Abu Fasala sem encontrar resistência.
Com a assinatura do "Acordo Exclusivo" de 1892, Dubai pasou a ter a protecção do Reino Unido contra qualquer ataque vindo do Império Otomano.
Duas catástrofes atingiram a cidade durante os anos 1800. Primeiro, em 1841, uma epidemia de varíola irrompeu na localidade de Bur Dubai, obrigando a população a deslocar-se para leste de Deira. Em 1894, um grande incêndio em Deira destruiu a maioria das casas.
No entanto, a localização geográfica da cidade continuou a atrair comerciantes e mercadores de toda a região. O emirado de Dubai reduziu então a carga fiscal sobre o comércio, o que atraiu comerciantes de Sharjah e Lengeh Bandar, que eram os principais centros comerciais da região na época.
A cidade de Dubai foi um importante porto de escala para os comerciantes estrangeiros, principalmente os vindos da Índia, muitos dos quais acabaram por se instalar na cidade.
Dubai era conhecida por suas exportações de pérolas até os anos 1930. No entanto, a indústria de pérolas de Dubai foi irremediavelmente danificada pelos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, pela Grande Depressão na década de 1920. Consequentemente, a cidade assistiu a uma migração em massa de pessoas para outras partes do Golfo Pérsico.
Desde a sua criação, Dubai eentrava constantemente em desacordo com Abu Dhabi. Em 1947, uma disputa de fronteira entre Dubai e Abu Dhabi, no setor norte da fronteira comum, gerou uma guerra entre os dois estados.
A arbitragem feita pelos ingleses e a criação de uma fronteira do leste ao sul da costa de Ras hasian resultou em uma cessação temporária das hostilidades.
A Guerra do Golfo Pérsico, de 1990, teve um enorme impacto sobre a cidade. Economicamente, os bancos de Dubai experimentaram uma retirada maciça de fundos devido à incerteza das condições políticas na região.
Durante o decorrer da década de 1990, no entanto, muitas comunidades de comércio exterior - primeiro do Kuwait, durante a Guerra do Golfo Pérsico e, posteriormente, do Bahrein, durante o levante xiita, mudaram seus negócios para Dubai.
Dubai foi uma base de reabastecimento para as forças aliadas na Zona Franca de Jebel Ali, durante a Guerra do Golfo Pérsico e, novamente, durante a Invasão do Iraque em 2003. Os grandes aumentos no preço do petróleo após a Guerra do Golfo Pérsico incentivou Dubai a continuar a centrar-se no livre comércio e no turismo.
O sucesso da Zona Franca de Jebel Ali permitiu que a cidade pudesse replicar seu modelo de desenvolvimento para novas zonas francas, incluindo Dubai Internet City, Dubai Media City e Dubai Maritime City.
A construção do Burj Al Arab, o hotel autônomo mais alto do mundo, bem como a criação de novos empreendimentos residenciais, foram usados pelo mercado de Dubai, para fins turísticos. Desde 2002, a cidade tem visto um grande aumento do investimento imobiliário privado na recriação skyline de Dubai, com projetos como o Palm Islands, The World, o Burj Dubai e o The Dynamic Tower. No entanto, o crescimento econômico robusto nos últimos anos tem sido acompanhado por aumento das taxas de inflação, resultando em uma substancial aumento do custo de vida para os residentes da cidade.
A ética na lida com a informação e com o jornalismo é um tema de grande importância, e muito rotineiro para quem trabalha com o Agro. Principalmente quem está no mercado de análises e informações.
Bom, infelizmente o tema de rotina não é a ética, mas sim a falta dela.
Hoje, o jornal O Estado de São Paulo trouxe um ótimo artigo escrito por Carlos Alberto Di Franco, doutor em comunicação e professor de ética no jornalismo. O texto, transcrito na íntegra a seguir, é bem interessante e vale a pena ser lido.
Por várias vezes este assunto foi abordado, de uma forma ou de outra, nesse espaço. Mas nada melhor que um especialista falando sobre o tema.
Infelizmente muitos profissionais sem ética, amadores e adultos mimados em busca de autopromoção, usam das atuais facilidades tecnológicas para difundir as verdades invertidas que querem forçar que outros creiam.
O excesso de informações nos dias de hoje, somado à escassez de senso crítico, acaba por provocar a confusão entre credibilidade e penetração da marca ou da personalidade.
Com isso, entidades, empresas, organizações ou mesmo indivíduos sem nenhum valor ético, porém muito conhecidos do público, acabam gozando dessa credibilidade desmerecida.
O recente movimento Gota D`Água contra a construção de Belo Monte é apenas um dos exemplos.
Só com exemplos de casos envolvendo ONGs e outras organizações contra o Agro poderíamos escrever um compêndio sobre falta de ética na comunicação.
No jornalismo político então, nem se fala. Fofocas, mentiras, casos invertidos, más interpretações, “disse e não disse”, uma verdadeira horda goebbeliana dificultando que Homens sérios se destaquem na vida pública.
Além da falta de ética crônica, outro problema parece afrontar a comunicação nos dias de hoje.
Infelizmente a verdade dos fatos parece não ser o principal objetivo de grande parte dos jornalistas. O furo de reportagem, mesmo que inverossímil, é mais importante e, portanto, almejado a qualquer custo.
Não deixa de ser revoltante observar o tanto que se desinforma em um país tão carente de educação e de capacidade interpretativa, mesmo entre os educados.
A seguir, o texto.
Bom jornalismo fascina e vende
As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros desvios que conspiram contra a credibilidade dos jornais.
Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.
Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são autômatos. Além disso, não se faz bom jornalismo sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso com a verdade. E é isso que conta.
Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas.
O jornalista engajado é sempre um mau repórter. Militância e jornalismo não combinam. Trata-se de uma mescla, talvez compreensível e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do sectarismo. O militante não sabe que o importante é saber escutar. Esquece, ofuscado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas.
A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos. O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constrói a história.
Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Alguns desvios, porém, transformam um princípio irretocável num jogo de cena.
Matérias previamente decididas em guetos engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é sincera, não se fundamenta na busca da verdade. É uma estratégia.
O assalto à verdade culmina com uma tática exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas avalizam a "seriedade" da reportagem. Mata-se o jornalismo. Cria-se a ideologia.
É preciso cobrir os fatos com uma perspectiva mais profunda. Convém fugir das armadilhas do politicamente correto e do contrabando opinativo semeado pelos arautos das ideologias.
A precipitação e a falta de rigor são outros vírus que ameaçam a qualidade da informação. A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor a sensação de uma fraude.
Autor do mais famoso livro sobre a história do The New York Times, Gay Talese vê importantes problemas que castigam a imprensa de qualidade: "Não fazemos matéria direito porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mails, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas".
"Não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando", conclui Talese. E o leitor, não duvidemos, capta tudo isso.
Boa parte do noticiário de política, por exemplo, não tem informação. Está dominado pela fofoca e pelo declaratório. Não tem o menor interesse para os leitores. O uso de grampos como material jornalístico virou ferramenta de trabalho. A velha e boa reportagem foi sendo substituída por dossiês. De uns tempos para cá, o leitor passou a receber dossiês que muitas vezes não se sustentam em pé por mais de três dias. Curiosamente, quem os publica não se sente obrigado a dar nenhuma satisfação ao leitor. Entramos na era do jornalismo sem jornalistas, nos tempos da reportagem sem repórteres. Ficamos, todos, fechados no ambiente rarefeito das redações. Enquanto esperamos o próximo dossiê, tratamos de reproduzir declarações entre aspas, de repercutir frases vazias de políticos experientes na arte de manipular a imprensa.
Mesmo assim, os jornais têm prestado um magnífico serviço no combate à corrupção. Alguém imagina que a cascata de demissões no governo teria ocorrido sem uma imprensa independente? Jornais de credibilidade oxigenam a democracia. As tentativas de controle da mídia, abertas ou disfarçadas, são sempre uma tentativa de asfixiar a liberdade.
O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade.
A autocrítica, justa e necessária, deve ser acompanhada por um firme propósito de transparência e de retificação dos nossos equívocos. Uma imprensa ética sabe reconhecer os seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, desinformar.
Confessar um erro de português ou uma troca de legendas é fácil. Mas admitir a prática de atitudes de prejulgamento, preconceitos informativos ou leviandade noticiosa exige coragem ética. Reconhecer o erro, limpa e abertamente, é o pré-requisito da qualidade.
O jornalismo tropeça em armadilhas. Nossa profissão enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim.
E é aí que mora o desafio.
Por Carlos Alberto Di Franco, doutor em comunicação; professor de ética e diretor do Master em jornalismo.
BLOG DO MAURÍCIO Na infância, o cavalo! Agora, uma Harley... Na época de minha infância e adolescência eu adorava tomar chuva a cavalo. Período de férias era sempre farto, nos meses de dezembro e janeiro, o tempo todo na fazenda.
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BLOG DA LYGIA PIMENTEL Boi no primeiro semestre, boi no segundo semestre Tem muita gente me perguntando o que será do boi no segundo semestre de 2012.
Olha, sinceramente eu não sei. É difícil responder assim, tão pontualmente. Mais difícil ainda é... LEIA MAIS